Símbolos de Ódio: Identificar Para Combater
- Preto no Metal

- 17 de mai. de 2025
- 4 min de leitura
Este texto foi produzido de forma independente pelo coletivo Preto no Metal e seus parceiros, com o objetivo de reunir e divulgar informações sobre os chamados "símbolos de ódio". Buscamos provocar questionamentos e fomentar o debate sobre o tema, utilizando fontes jornalísticas e acadêmicas para embasamento.
Por que falar sobre símbolos de ódio? Reconhecer é resistir
Muitos símbolos que hoje são usados por grupos de extrema-direita, neonazistas e supremacistas brancos têm origens antigas, alguns inclusive ligados a culturas e tradições que nada têm a ver com o ódio. A apropriação desses símbolos por ideologias violentas distorce seu significado original e coloca comunidades em risco. É por isso que precisamos entender o contexto histórico e político desses elementos visuais.
Os 19 símbolos brevemente explicados, para mais informações, o google está aí pra isso, estamos indicando o caminho.
Os simbolos:

1. Feixe de varas (Fascio)
Símbolo romano resgatado por Benito Mussolini e o fascismo italiano. Representa força, ordem e poder centralizado. Ainda pode ser visto em edifícios históricos por influência da arquitetura romana.
2. Runa Odal
Representa herança e terra nas tradições germânicas. Foi apropriada por nazistas para reforçar ideias de “pureza racial”. Grupos pagãos no Brasil se dissociaram publicamente desse uso extremista.
3. Número 88
Código neonazista. O número 8 representa a letra H. 88 = “Heil Hitler”.
4. Cruz Celta
Símbolo cristão e celta, apropriado por supremacistas brancos. A versão com o círculo é usada por neonazistas, skinheads e grupos como o Stormfront.
5. Águia nazista (Parteiadler/Reichsadler)
Símbolo do Terceiro Reich, representa o Estado (cabeça à esquerda) ou o Partido Nazista (cabeça à direita), geralmente acompanhado da suástica.
6. Resistência Nacionalista
Grupo brasileiro de extrema-direita, ultraconservador e cristão. É contra comunismo, antifascismo, minorias e movimentos progressistas.
7. Wolfsangel
Antigo símbolo germânico, foi apropriado por divisões da SS nazista. Hoje é usado por grupos de ódio e pela extrema-direita.
8. Sol Negro
Formado por doze sig-runas, foi usado por membros da SS e ainda hoje é associado a cultos esotéricos neonazistas.
9. SS (Schutzstaffel)
Tropa de elite nazista responsável por crimes de guerra e genocídio. O símbolo “SS” em formato de raio é hoje amplamente utilizado por grupos neonazistas.
10. Bandeira nazista com suástica
Principal símbolo do Partido Nazista, representa a ideologia da supremacia ariana. Sua exibição é proibida em vários países.
11. Bandeira dos Confederados
Usada por tropas sulistas escravistas na Guerra Civil dos EUA. Tornou-se símbolo da supremacia branca e do racismo, especialmente pela KKK.
12. Ultra Defesa
Grupo brasileiro nacionalista de extrema-direita. Defende valores militaristas, patriarcais, moralistas e antiprogressistas. Usa estética romana e promove discursos de ódio.
13. CCC (Comando de Caça aos Comunistas)
Grupo paramilitar brasileiro que atuou na ditadura militar. Perseguiu artistas, estudantes e militantes de esquerda com ações violentas.
14. Totenkopf (caveira da SS)
Usada pelas tropas da SS em campos de extermínio. Hoje é um símbolo direto de apologia ao nazismo e aos crimes cometidos pelo regime.
15. Pravy Sektor
Grupo paramilitar ucraniano de extrema-direita. Anticomunista, antissemita, e com forte ligação a movimentos neonazistas históricos.
16. Runa Algiz
Símbolo antigo de proteção, apropriado por neonazistas como sinal de supremacia branca. Usado por grupos como Volksfront e outros movimentos racistas.
17. Batalhão de Azov
Milícia ucraniana com raízes neonazistas. Usa insígnias derivadas da SS e promove discurso supremacista. Seu fundador declarou uma “cruzada branca”.
18. Divisão 18
Grupo skinhead neonazista brasileiro. O número 18 representa as letras AH (Adolf Hitler). Promove ideias nazistas adaptadas à realidade local.
19. Cruz de Ferro / Cruz de Malta nazista
Símbolo militar alemão resgatado pelos nazistas. Embora tenha usos não extremistas, quando associado a outros símbolos nazistas carrega significado de ódio e supremacia.
Por que isso importa?
Reconhecer esses símbolos é fundamental para combater o avanço do extremismo. Muitos deles circulam em ambientes virtuais e físicos sem serem notados, o que facilita a sua normalização. Ao entender suas origens e usos, fortalecemos nossa luta contra o ódio e o autoritarismo.
Lembre-se
Se ver algo suspeito, colha proovas com fotos, videos e prints denuncie.
Polícia Civil / Delegacia de Polícia
Vá até qualquer delegacia ou registre um Boletim de Ocorrência online (dependendo do seu estado).
Em casos mais graves ou com provas (prints, fotos, vídeos), leve essas evidências para abrir investigação.
Delegacias Especializadas:
DECRADI (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) – em estados como São Paulo e Rio de Janeiro.
Em outros estados, procure a Delegacia de Repressão aos Crimes de Ódio ou Cibernéticos, se houver.
SaferNet Brasil
Plataforma que recebe denúncias anônimas de crimes de ódio na internet (incluindo neonazismo, racismo, xenofobia, homofobia e intolerância religiosa).
Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania
Você pode denunciar por telefone ou app:
Disque 100 – atendimento gratuito e anônimo, 24 horas por dia.
Aplicativo Direitos Humanos Brasil (Android/iOS)
Ministério Público (estadual ou federal)
Você pode registrar uma representação contra o autor do crime:
MPF (Ministério Público Federal): se envolver crime contra direitos humanos ou discurso de ódio com alcance nacional. https://www.mpf.mp.br
MP Estadual: se for um crime local (pichações, panfletos, ameaças etc.).
Plataformas e redes sociais
Se o conteúdo foi publicado online:
Denuncie diretamente na plataforma (Instagram, Facebook, Twitter/X, YouTube, etc.).
Inclua palavras-chave como "discurso de ódio", "símbolos neonazistas", "apologia ao nazismo".
Salve prints antes da denúncia, caso o conteúdo seja apagado.
O uso de símbolos nazistas, incitação ao ódio racial e apologia ao nazismo são crimes no Brasil, conforme o Art. 20 da Lei 7.716/1989, com pena de até 5 anos de prisão.
Fontes utilizadas
“Runas Odinistas pagãs e símbolos usados pela Alemanha nazista de Hitler”
Manifesto dos Pagãos da Matriz Cultural Germânica do Brasil, 2015
Constituição Federal Brasileira de 1988, Art. 5º, incisos IX e XLII
David Goldfield, Still Fighting The Civil War
Documentos e publicações da Ultra Defesa
Registros históricos da AIB e do Partido Nazista
Reportagens do jornal britânico sobre o Batalhão de Azov
Dados públicos e acadêmicos sobre símbolos históricos e movimentos extremistas
Texto, pesquisa e edição Indy Lopes





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