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E se a música fosse um rito religioso?

A música tem um papel fundamental na vida humana, e há quem diga que até as plantas sentem sua influência. Sim, isso já foi tema de pesquisa científica.

Mas e o contrário? Qual é o papel da religião na música? E mais especificamente: qual é o papel das religiões de matriz africana?

Mesmo que muita gente tente negar, é fato que a África é a grande mãe. É dela que vêm as raízes de quase tudo o que conhecemos: cultura, linguagem, espiritualidade e, claro, música. Basta ir atrás das origens de qualquer manifestação musical e, cedo ou tarde, você vai encontrar a África.

Se religião e música estão historicamente ligadas, faz todo sentido que a música seja uma ferramenta espiritual, um canal de conexão. E quando falamos de religiões afro, o que te vem à mente? Umbanda? Macumba? Terreiro? Pode ser. Mas e se eu te disser que tem muita África no Heavy Metal?

Pois tem, e não é pouco.

Aquela bateria insana, cheia de viradas e blast beats, você acha que surgiu de onde? Os tambores africanos têm um papel sagrado: são usados para invocar orixás, para se comunicar com o divino. Conforme o orixá dança, o tambor responde. É um diálogo, uma troca de energia. É ritual.

Existem tantos tipos de tambores e instrumentos de percussão que é difícil até listar. Mas aqui vai uma amostra:

  • Adufe

  • Alfaia

  • Ashiko

  • Atabaque

  • Batá

  • Bongô

  • Conga

  • Curimbó

  • Djembe

  • Djun-djun

  • Ng’oma

  • Omele (ou Gangan)

  • Pandeiro

  • Repinique

  • Surdo

  • Tambor falante

  • Tamborim

  • Timbales

  • Zabumba

  • …e muitos outros.

Um instrumento marcante, por exemplo, é o ngong — feito de ferro e tradicional nos terreiros. Ele dá início à parte musical, é quem "chama" os outros instrumentos. No samba, isso também fica bem claro.

No Brasil, temos exemplos incríveis dessa fusão entre música pesada e espiritualidade afro. O Metá Metá, com Kiko Dinucci e Juçara Marçal, mistura ritmos africanos, rock e jazz em composições que dialogam diretamente com os orixás.

O Gangrena Gasosa é praticamente um ritual musical. Já o Arandu Arakuaa traz elementos indígenas para dentro do metal. E é impossível não citar o Sepultura — ouça o álbum Roots com atenção e entenda como essas influências estão presentes, tanto na sonoridade quanto na energia.

Fora do Brasil, bandas como Vodun, Xipe Totec, Cemican e tantas outras seguem essa mesma pegada: misturam ancestralidade com peso.

O ponto aqui é simples: toda música carrega um tipo de culto, mesmo que você não perceba — ou mesmo que não acredite. Quando o tambor toca, ele movimenta energia. Ele conecta.

Você já sentiu isso num show de metal? Quando o riff entra, a batera explode, e você tá lá, bangeando com o corpo todo vibrando? Aquilo não é só um show. É um rito coletivo.

Heavy Metal, de certa forma, é um culto aos deuses antigos. O próprio hábito de nos chamarmos de “irmãos” na cena é uma herança ritualística.

A música é uma das formas mais antigas de união e celebração. Por isso nos sentimos tão acolhidos em um rolê de metal: estamos em transe, estamos em festa. Estamos em culto.


Texto por Indy Lopes

 
 
 

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